11 de fev. de 2017

Segundo especialista, Situação no Espirito Santo pode deflagrar intervenção militar no Brasil

11 de fevereiro de 2017 - 01:30:51


Especialistas entrevistados pela Rádio França Internacional temem que a convulsão social se degrade ainda mais e se alastre por outros estados, resultando em um conflito civil ou até mesmo em uma intervenção militar.


O movimento das famílias dos policiais militares, que suspende o policiamento desde a última sexta-feira (3) no Espírito Santo, gerou caos na maioria das cidades do Estado e deixou 121 mortos até esta sexta-feira (10).

Especialistas entrevistados pela RFI temem que a situação se degrade ainda mais, caso um acordo não seja encontrado entre o governo e os PMs, resultando em um conflito civil ou até mesmo em uma intervenção militar.

"Se esse movimento se generalizar por todo o país, provavelmente poderemos assistir a uma espécie de golpe militar, no qual o exército ocupará as ruas de todas as capitais brasileiras", prevê o coordenador do Mestrado em Geografia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Cláudio Luiz Zanotelli, que pesquisa a violência e políticas de segurança. 

Ele lembra que a instabilidade política Brasil, após a destituição da presidente Dilma Rousseff, contribui para esta possibilidade.

Pablo Lira, professor do mestrado profissional de Segurança Pública da Universidade de Vila Velha e coordenador do Núcleo de Vitória (ES) do Observatório das Metrópoles, compartilha a ideia sobre a generalização do movimento dos PMs, que exigem um reajuste dos salários, inexistente há três anos. 

Ele salienta que PMs de outros Estados começam a se organizar para realizar o mesmo tipo de mobilização.

Uma prova disso é que, para evitar o mesmo movimento, o governo do Rio de Janeiro anunciou na quarta-feira (8) um aumento de até 10,22% de policiais militares e civis, bombeiros, agentes penitenciários e funcionários das secretarias de Segurança e Administração Penitenciária.

Risco de incidentes de violência entre civis é iminente.

Outra possível consequência da situação que vive o Espírito Santo é um conflito entre a população. Segundo Lira, uma parte da população está extremamente revoltada com o movimento dos PMs.

"O clima de tensão é extremo e o risco de acontecer incidentes de violência entre, por exemplo, civis e as famílias dos policiais militares - que bloqueiam a saída de viaturas das delegacias - é iminente", diz.

Já para Zanotelli a mobilização que suspende o policiamento no Espírito Santo trouxe à tona um ódio social sem precedentes no país. Ele ressalta que nas redes sociais, civis reivindicam "o direito de matar aqueles que chamam de bandidos". No entanto, lembra que, na ausência dos policiais militares, a própria população vem saqueando lojas e supermercados.

"Tudo isso acontece devido a um governo incompetente, incapaz, que cruza os braços e propõe como alternativa convocar o Exército para proteger a população", avalia. 

Enquanto isso, enfatiza Zanotelli, as pessoas se trancam dentro de suas casas e serviços públicos, escolas, comércios e transportes deixaram de funcionar.

Lira também ressalta o desdém do governo federal em relação ao problema. 

"Neste momento em que vivemos uma crise do sistema prisional nos Estados do Norte e do Nordeste, e a crise da segurança pública no Espírito Santo, a principal preocupação da classe política é de qual partido será o novo ministro da Justiça e Segurança da Segurança Pública. A única prioridade deles neste momento é amenizar as ações da operação Lava Jato", reitera.

De acordo com o especialista, a falta de urgência com que são tratadas essas questões contribui para a banalização da criminalidade e da violência no Brasil. 

"Durante esses últimos dias sem policiamento, vemos pessoas sem histórico criminal arrombando lojas e supermercados, roubando eletrodomésticos e celulares. Na televisão, assisti a uma cena lamentável, de uma família roubando produtos de higiene e fraldas em uma farmácia, diante de seus filhos pequenos", conta. 

Para o especialista, isso mostra que além das políticas de segurança pública, o Brasil enfrenta também falhas em suas políticas de base, como educação, saúde, habitação, proteção social, entre outras.

Crise econômica contribuiu para caos no ES

Lira enfatiza que o Estado do Espírito Santo sempre se destacou nos rankings de homicídios o principal índice de medição da violência. Mas, em 2003, a situação teve uma guinada na gestão e no planejamento da administração pública, que resultou na reestruturação do setor da segurança pública no Estado.

A partir de 2009, os índices de homicídio tiveram quedas significativas no ES, mostrando que as políticas adotadas tiveram efeitos importantes. 

No entanto, Lira ressalta que desde 2012, o Brasil passa por uma importante crise econômica o que gerou dificuldades para os governadores e os municípios manterem suas finanças públicas equilibradas.

A crise foi, segundo o especialista, implacável com o setor da segurança e penalizou as polícias. A PM do Espírito Santo, por exemplo, não teve suas remunerações corrigidas desde 2014.

O governo estadual alega que não tem margem para poder fornecer qualquer reajuste para os servidores públicos.

De acordo com Lira, a única saída para esse impasse é o diálogo. 

"É preciso que os representantes deste movimento e do governo busquem um denominador comum que possa melhorar essa situação." 

Para o professor, a crise vivida no Espírito Santo serve de exemplo para que outros Estados tenham consciência da importância da PM em todo o Brasil.

Outra questão, segundo Lira, é a necessidade de uma política de segurança pública nacional. 

Lira enfatiza que o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), lançado durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, deixou de funcionar durante a gestão de Dilma Rousseff. 

"Desde então vivemos um vazio nesta área", salienta.

O especialista alerta que a decisão de convocar as tropas das Forças Armadas para patrulhar as ruas do Espírito Santo, no início da semana, não resolve o problema. 

O efetivo foi reforçado com mais 550 soldados nesta quinta-feira (9). 

"O exército não está preparado para lidar com esses distúrbios urbanos. Temos visto militares circulando com armamentos de guerra pelas ruas. Isso pode inspirar ainda mais insegurança na população", conclui.

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13 de nov. de 2016

Separatismo no Brasil: Movimento quer separar o Espírito Santo do resto do País

13 de novembro de 2016 - 21:20:52 

O Separatismo no Brasil ao pouco vai ganhando mais adpetos e isso pode levar a uma conflitos no país já que a constituição não permite tal atitude.

Em sua página no Facebook, o movimento divulga uma consulta popular para o dia 10 de março de 2018 e incentiva os seguidores a votarem pela "liberdade capixaba"

Oficializado há dois anos, um movimento defende que o Espírito Santo se separe do resto do Brasil. Os membros do grupo separatista "O Espírito Santo é Meu País" já organizam, inclusive, uma consulta popular para saber a opinião dos capixabas sobre a proposta.

Na página do Facebook, o movimento divulga a consulta para o dia 10 de março de 2018 e incentiva os seguidores a votarem pela "liberdade capixaba". 

Os integrantes da organização vão dedicar o ano de 2017 para conquistar adeptos.

De acordo com o publicitário Guga Lima, fundador do movimento, o grupo já conta com mais de 200 participantes ativos. Na fan page da organização, os membros argumentam que, da lista dos dez países menos corruptos do mundo, nenhum deles é maior do que o estado do Amazonas. 

Para o fundador, a crise política e econômica que o Brasil enfrenta nos últimos anos reforça a importância do Estado ser autônomo.

No Facebook, a página tem mais de 2.500 curtidas Foto: Reprodução/ Facebook
"Viajei para a Europa e reparei que nenhum país é maior que a Amazônia e qualquer país de lá é mais organizado do que o Brasil. O povo do Espírito Santo tem clamado por mudanças e não dá mais para esperar. Queremos separação", frisa o publicitário.
Hoje, Aracruz, Cachoeiro de Itapemirim, Santa Maria de Jetibá e Venda Nova do Imigrante são os municípios com maior número de integrantes, de acordo com o fundador. 

A ideia é que, na consulta de 2018, todas as cidades capixabas tenham pontos de votação. O resultado será levado para os deputados federais e senadores que representam o Espírito Santo no Congresso Nacional.
"Tem gente que fala que a separação é impossível. Mas, alguns meses atrás, alguém acreditava que Donald Trump seria eleito nos EUA? Não estou defendendo o presidente eleito mas o resultado reforça que não existe isso de impossível", provoca Guga.
A turbulência política no Brasil não é o único argumento do grupo, que diz que a autonomia do Espírito Santo é importante para preservar a identidade cultural do capixaba. Eles afirmam que os capixabas, hoje, são obrigados a cultivar a cultura de outros Estados.
"Hoje somos obrigados a tragar a cultura carioca ou baiana como se fosse a nossa. Nós temos a nossa própria cultura. As danças, as manifestações culturais deles não nos representam. E a ONU defende o princípio da autodeterminação dos povos, o que legitima nosso movimento", diz o publicitário.
Lima afirma, porém, que o movimento capixaba não é xenófobo e que não quer a expulsão de moradores que nasceram em outros estados.

O perfil do grupo nas redes sociais também destaca, como justificativa para a separação, que o Espírito Santo é "um dos maiores produtores de petróleo do mundo", um Estado "privilegiado pela indústria, estações portuárias e uma enorme faixa litorânea" e que "paga ao Governo Federal muito mais que o dobro do que recebe de investimentos".

Foto: Reprodução/ Facebook "O Espírito Santo é Meu País"
Grupo organiza consulta popular em 2018 Movimentos separatistas se unem no Brasil

Para separar o Espírito Santo, o grupo precisa enfrentar a Constituição brasileira. O artigo 1° da carta estabelece que a "República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal".

Pensando nisso, cinco movimentos separatistas, entre eles o "Espírito Santo é o Meu País", lançaram, em São Paulo, a Aliança Nacional, grupo que pode vir a se tornar um partido político e batalhar por uma mudança na lei brasileira.

Participam da Aliança, além do grupo capixaba, organizações de outros quatro estados:
  • São Paulo (São Paulo Livre), 
  • Rio de Janeiro (O Rio é o Meu País), 
  • Pernambuco (Grupo de Estudo e Avaliação Pernambuco Independente – GEAPI) e 
  • Roraima (Roraima é o Meu País). 
Todos eles planejam realizar consultas semelhantes no dia 10 de março de 2018.

Forma de governo

Após a independência, a população de cada Estado teria autonomia para escolher uma nova forma de governo. 
"Nosso grupo tem uma preferência pela Monarquia. Temos, inclusive, contato com a família real. Mas isso será decidido depois, pelo povo. Somos democráticos", explica.
Sobre as relações com os outros estados do Brasil, o fundador do movimento capixaba diz que os membros querem que o Espírito Santo mantenha um bom contato com os vizinhos e também com países da América Latina. 
"Só não queremos relação com países comunistas, que têm ligação com o PT (Partido dos Trabalhadores)".
Fonte: Gazeta Online

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