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EUA pressionam Brasil para agirem militarmente na Venezuela

21 de fevereiro de 2019 - 01:51:02


Os EUA querem que o Brasil use força militar para entregar ajuda humanitária à Venezuela. A área de Defesa brasileira resiste à ideia por temer que a situação escale para um conflito, e também vetou a sugestão de que soldados americanos participassem da operação.

O chamado cerco humanitário ao regime chavista de Nicolás Maduro é uma das formas de pressão que os EUA e seus aliados montaram para tentar retirar o ditador do poder. O líder opositor Juan Guaidó, reconhecido pela coalizão integrada pelo Brasil como o presidente interino do vizinho, pediu que a ajuda comece a entrar no sábado (23).

A Colômbia, país que abriga cerca de mil militares americanos, já começou a montar seu centro de distribuição de ajuda perto da cidade fronteiriça venezuelana de Cúcuta. Ali, a Força Aérea dos Estados Unidos opera livremente, mas Maduro bloqueou a ponte de Tienditas, que liga os dois países, para a passagem de remédios e alimentos. Nas últimas semanas, os EUA aumentaram a pressão sobre o Brasil para uma cooperação semelhante. 

O Palácio do Planalto informou que a operação na região já é feita em coordenação com os americanos, mas descartou o envolvimento físico de Washington ou de militares brasileiros do lado de lá da fronteira. Segundo a Folha apurou, o Departamento de Estado dava como certa inclusive a presença de tropas americanas na operação no Brasil, devido aos primeiros contatos sobre o tema com o chanceler Ernesto Araújo. 

O ministro é um admirador do presidente Donald Trump, a quem considera a esperança do Ocidente contra uma suposta conspiração marxista de governos de esquerda e ativistas internacionalistas. Há duas semanas, ele encontrou-se com o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, em Washington. Na semana seguinte, conversou com o chefe do Comando Militar Sul dos EUA, almirante Craig Faller, em Brasília. 

Os pedidos de cooperação foram renovados. Segundo pessoas próximas às conversas, tanto a participação americana quanto a maior incisividade militar foram colocadas na mesa. Procurado, o Itamaraty não comentou esse aspecto, afirmando apenas que o governo está se esforçando para coordenar ajuda aos venezuelanos. 

Historicamente, o órgão advoga pela não-intervenção em assuntos internos de outros países. No caso da Venezuela, o presidente, Araújo e outros ministros já rejeitaram a ideia de uma ação militar para derrubar Maduro, algo ventilado por Trump com frequência. 

O presidente venezuelano, por sua vez, sustenta que a operação humanitária é o prenúncio de uma invasão. Outro elemento de pressão está num relato, em Washington, de que o assessor de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, acenou ao Brasil com a possibilidade de estabelecer um amplo pacote de cooperação militar, semelhante à que tem com a Colômbia. 

O assessor de Trump já esteve com Jair Bolsonaro (PSL) antes da posse do presidente, no fim do ano passado. O problema é que a simpatia irrestrita pelos EUA não é compartilhada na cúpula militar brasileira e no núcleo de ministros egressos das Forças Armadas no governo.

Fonte: UOL Noticias

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